A (IAEA) director-geral da Agência Internacional de Energia Atómica Rafael Grossi alertou, a 23 de abril de 2026, que o programa de armas nucleares da Coreia do Norte está a avançar rapidamente e representa uma ameaça crescente para a estabilidade global, segundo uma entrevista publicada no The Telegraph.
Grossi disse estar preocupado com o facto de as Nações Unidas não terem uma visibilidade adequada sobre o programa de armas nucleares da Coreia do Norte, que tem avançado de forma rápida nos últimos anos apesar de sanções internacionais duradouras. “Acho que é justo dizer que vemos a Coreia do Norte como uma expansão clara. O que vemos é que o país está a avançar bastante depressa nesta área e, como sabe, embora isto não seja nuclear, está intrinsecamente relacionado: tem um programa de mísseis balísticos muito ambicioso”, disse Grossi ao The Telegraph.
A (KCNA) Agência Central de Notícias Coreana, controlada pelo Estado, anunciou em fevereiro que, sob a liderança de Kim Jong Un, o país “melhorou radicalmente” a sua “postura de dissuasão de guerra”, “com as forças nucleares como pivô”, de acordo com relatos citados na fonte.
O Instituto Internacional de Investigação da Paz de Estocolmo estimou no ano passado que a Coreia do Norte possuía cerca de 50 ogivas nucleares e tinha material suficiente para produzir até mais 40.
A Coreia do Norte anunciou no domingo que testou disparos de mísseis balísticos equipados com ogivas de bombas de fragmentação, no segundo ensaio desse mês. O relatório da KCNA referiu vários lançamentos avistados no domingo ao largo da costa oriental da Coreia do Norte por Seul, Japão e os Estados Unidos.
Kim Jong Un supervisionou o disparo de cinco mísseis balísticos Hwasong-11 Ra melhorados, do tipo superfície-superfície, equipados com ogivas de bombas de fragmentação e com ogivas de minas de fragmentação, informou a KCNA. Os mísseis atingiram um alvo numa ilha e Kim manifestou aprovação pelos lançamentos, declarando “É de grande importância nas ações militares reforçar a capacidade de ataque de alta densidade”, segundo o órgão de comunicação social.
Fotografias da KCNA mostraram o líder norte-coreano Kim Jong Un e a sua filha adolescente, ambos usando casacos de couro preto, a observar a partir de uma posição costeira enquanto um projétil voava sobre as águas, deixando fumo cinzento no seu rasto. A agência de inteligência da Coreia do Sul concluiu recentemente que a filha, alegadamente chamada Kim Ju Ae, poderá ser considerada a sucessora de Kim.
Mais de 120 países endossaram um acordo internacional que proíbe o uso de munições de fragmentação, mas a Coreia do Norte, o Irão, Israel e os EUA não estão entre eles.
Entretanto, 191 países assinaram o Tratado de Não Proliferação Nuclear de 1970 (NPT), com signatários fundamentais incluindo os cinco estados reconhecidos como detentores de armas nucleares — os EUA, a Rússia, o Reino Unido, França e a China. O NPT não se aplica aos países armados nucleares da Índia, Paquistão, Israel e Coreia do Norte. Segundo a Campanha Internacional para Abolir as Armas Nucleares, das mais de 12.300 ogivas nucleares do mundo, a Rússia possui 5.459, os EUA têm 5.277 e o Reino Unido detém 225.