Administração Trump retoma negociações do CLARITY Act: Novos desenvolvimentos na coordenação regulatória entre bancos e o setor cripto

Atualizado: 2026-01-29 04:04

O Conselho de Criptomoedas da Casa Branca está a organizar uma reunião decisiva, reunindo responsáveis da administração Trump, executivos do setor bancário e líderes de empresas de criptomoedas, numa tentativa de desbloquear o impasse legislativo em torno da estrutura do mercado cripto. No centro destas negociações está o Digital Asset Market Clarity Act (CLARITY Act), que se encontra paralisado no Senado há vários meses, com uma votação crucial no Comité Bancário igualmente adiada.

À medida que as conversações avançam, voltam a surgir divisões antigas entre as finanças tradicionais (TradFi) e a indústria cripto relativamente ao rendimento dos stablecoins. O desfecho destas discussões poderá determinar a forma como os bancos expandem os seus serviços cripto e como as empresas estruturam as suas operações no mercado norte-americano.

Retoma das Negociações

Após um período marcado por bloqueios regulatórios e hesitação institucional, a administração Trump decidiu retomar as consultas sobre o CLARITY Act. Sob a presidência do Conselho de Criptomoedas da Casa Branca, a reunião reúne associações do setor para discutir de que forma o diploma aborda o pagamento de juros e outras recompensas associadas a stablecoins indexadas ao dólar. Segundo fontes próximas do processo, estas negociações visam ultrapassar o impasse em torno da legislação sobre a estrutura do mercado cripto.

O CLARITY Act propõe um enquadramento para a estrutura do mercado cripto, clarificando como os ativos digitais são regulados nos Estados Unidos, incluindo a divisão de competências entre a Securities and Exchange Commission (SEC) e a Commodity Futures Trading Commission (CFTC). O diploma encontra-se parado no Senado há meses e, no início deste mês, uma votação agendada no Comité Bancário foi adiada devido a preocupações de legisladores e representantes do setor relativamente às disposições sobre juros de stablecoins.

Disposições Essenciais

No cerne do CLARITY Act está o conceito de "maturidade". Em vez de se centrar na qualificação de uma determinada criptomoeda como valor mobiliário, o diploma transfere o foco para o grau de descentralização. Nos termos da proposta, o valor dos ativos digitais associados a blockchains maduras deve "derivar principalmente da utilização e funcionamento da blockchain". Isto significa que o nível de descentralização determinará, em última instância, se a jurisdição cabe à SEC ou à CFTC.

Os tokens de redes blockchain mais maduras e totalmente descentralizadas seriam classificados como "commodities digitais" e supervisionados pela CFTC. Em contrapartida, tokens de projetos em fase inicial e sob controlo centralizado seriam designados como "ativos de contratos de investimento" e regulados pela SEC.

O diploma introduz ainda um mecanismo de certificação para "sistemas blockchain maduros". Os projetos podem transitar do regime de valores mobiliários para o de commodities ao demonstrarem conformidade com três critérios: controlo descentralizado, código open-source e funcionamento automatizado.

Interesses Divergentes

O progresso do CLARITY Act tem sido dificultado por uma questão controversa: se terceiros devem ou não poder oferecer rendimento sobre stablecoins.

O GENIUS Act, aprovado em julho de 2025, proíbe os emissores de stablecoins de pagar juros, mas deixa em aberto se as plataformas de negociação ou outros intermediários podem oferecer recompensas. Esta ambiguidade agravou as tensões entre empresas cripto e bancos tradicionais.

Durante meses, os lóbis bancários têm pressionado o Congresso para proibir rendimentos de stablecoins oferecidos por terceiros, argumentando que estes produtos podem provocar saídas de depósitos e fragilizar o sistema bancário. Em 15 de janeiro de 2026, Brian Moynihan, CEO do Bank of America, alertou que stablecoins com juros poderiam retirar até 6 biliões $ dos bancos norte-americanos, restringindo o crédito e encarecendo o custo do financiamento.

Reação do Setor

A resposta da indústria cripto ao CLARITY Act tem sido mista. Em 7 de julho de 2025, o braço de advocacia sem fins lucrativos da Coinbase, Stand With Crypto, juntou-se a outras 65 organizações do setor ao enviar uma carta ao Congresso a apelar à rápida aprovação do diploma. Contudo, nem todas as empresas estão alinhadas. Em 14 de janeiro de 2026, Brian Armstrong, CEO da Coinbase, retirou o apoio da empresa, afirmando preferir "nenhuma lei a uma má lei".

Entretanto, várias empresas e associações de relevo — incluindo Coin Center, a16z, Chamber of Digital Commerce, Kraken e Ripple — manifestaram apoio à proposta do Senado.

Do lado da TradFi, o antigo presidente da CFTC, Rostin Behnam, reconheceu que a legislação federal atual apresenta lacunas e apelou ao Congresso para aprovar "legislação direcionada" que as colmate.

Ligações ao Mercado

Num contexto de manobras regulatórias nos Estados Unidos, o mercado de criptomoedas revela uma resiliência notável. De acordo com dados da Gate, em 29 de janeiro de 2026, o preço do Bitcoin situava-se em 87 818,6 $, com uma capitalização de mercado de 1,76 T $, representando 56,29% da quota de mercado e uma variação de -1,51% nas últimas 24 horas. O preço do Ethereum era de 2 954,4 $, com uma capitalização de 353,69 B $, uma quota de mercado de 11,30% e uma variação de -1,80% nas últimas 24 horas.

Alguns analistas de mercado salientam que o preço do Ethereum se mantém estável junto do nível-chave dos 3 000 $, com compradores a entrarem neste patamar. A análise técnica sugere que, apesar dos riscos de correção no curto prazo, se os preços mantiverem suportes relevantes, poderá haver uma recuperação até à faixa dos 3 200 a 3 400 $.

A ligação entre clareza regulatória e desempenho de mercado torna-se cada vez mais evidente. Quando os investidores podem antecipar o enquadramento regulatório, há maior propensão para participarem no mercado — conferindo dinamismo à potencial aprovação do CLARITY Act.

Impacto Global

O impulso da administração Trump para o CLARITY Act está em linha com a estratégia nacional dos EUA de se tornarem a "capital mundial das criptomoedas". Em 25 de janeiro de 2026, a Casa Branca apresentou uma estratégia nacional para posicionar os EUA como centro global do setor, alicerçada na visão da "Era Dourada das Criptomoedas" anunciada pelo Presidente Trump no início de 2025. A estratégia visa clarificar que a supervisão dos mercados à vista não classificados como valores mobiliários cabe à CFTC, simplificar o acesso bancário e estabelecer regras para stablecoins através do GENIUS Act.

O plano prevê ainda um regime experimental regulatório para DeFi, privilegiando soluções do setor privado em detrimento da emissão de moeda digital de banco central, com o objetivo de manter a proteção dos consumidores e, simultaneamente, atrair talento e investimento.

Para as bolsas de criptomoedas globais, um quadro regulatório claro traduz-se numa expansão internacional mais fluida. A Gate, por exemplo, encontra-se entre as três maiores plataformas mundiais em volume real de negociação, servindo mais de 48 milhões de utilizadores com serviços de negociação de ativos digitais em todo o mundo.

O Futuro Próximo

O debate em torno do CLARITY Act prossegue, com os vários intervenientes a acompanhar de perto um processo legislativo que poderá moldar o futuro da indústria cripto nos Estados Unidos. Apesar das divergências, a maioria concorda quanto à necessidade de maior clareza regulatória. Nas palavras de Ji Kim, presidente e CEO interino do Crypto Innovation Council, o CLARITY Act representa "um passo importante rumo a regras claras para o setor cripto".

A aprovação do diploma marcaria uma viragem na regulação cripto nos EUA — passando de um modelo predominantemente baseado na fiscalização para um enquadramento legislativo mais abrangente. Esta mudança poderá impactar desde a emissão de tokens até ao funcionamento das plataformas de negociação.

Para os utilizadores de plataformas de negociação de ativos digitais, a clareza regulatória promete um ambiente mais seguro e transparente. A Gate, por exemplo, garante reservas a 100% e foi uma das primeiras a introduzir tecnologia de prova de conhecimento zero para verificação de reservas — medidas que vão ao encontro das exigências dos reguladores em matéria de transparência.

Após a reunião, um representante da American Bankers Association declarou aos jornalistas no corredor: "Precisamos de condições equitativas. Stablecoins com juros podem desestabilizar todo o sistema bancário." Por sua vez, um membro de um grupo de lóbi do setor cripto defendeu: "A inovação impulsionada pela tecnologia não deve ser travada por regulamentos ultrapassados. O rendimento dos stablecoins é uma consequência natural da concorrência de mercado."

Questionada sobre o resultado da reunião na conferência de imprensa do dia, a Porta-voz da Casa Branca limitou-se a afirmar: "As discussões foram construtivas e todas as partes expressaram as suas preocupações." O destino do CLARITY Act permanece incerto, mas há uma certeza: os ativos digitais deixaram de ser um tema marginal no universo financeiro. Independentemente dos termos finais, esta reunião assinala uma nova etapa no debate sobre a regulação cripto — bancos e empresas do setor estão finalmente sentados à mesma mesa, a discutir como avançar em conjunto num panorama financeiro em rápida evolução.

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