A Rack Centre, uma instalação de data center Tier III sediada em Lagos, está lançando um programa estruturado de treinamento para estudantes universitários e graduados em engenharia para enfrentar uma escassez crítica de engenheiros qualificados no setor de data centers da Nigéria. O programa será iniciado na quarta-feira, segundo Adebola Adefarati, diretor de marketing e comunicações da empresa.
A iniciativa responde a uma crescente lacuna entre a demanda por infraestrutura de dados e a expertise técnica disponível. Em fevereiro de 2026, a África tem 249 data centers em operação, porém os operadores relatam que a oferta de engenheiros necessária para gerenciar sistemas críticos—especialmente energia e refrigeração—não acompanhou o ritmo de expansão das instalações.
De acordo com uma pesquisa da Africa Data Centre Association, 67% dos operadores de data center na Nigéria identificam a retenção de talentos como um grande desafio. Mais de 60% dos operadores dependem de treinamento informal, feito internamente, para manter as operações. Globalmente, a falta de profissionais é ainda mais severa: projeções da inteligência do Uptime Institute apontam para a necessidade de 2,5 milhões de profissionais adicionais de data centers até 2025.
Adefarati explicou o problema central: “Há muita reciclagem das mesmas pessoas entre as empresas. As pessoas saem de um data center ou de uma operadora de telecom para outro, e isso vira um ciclo fechado. A indústria precisa começar a criar novos talentos.”
A escassez de talentos na África é agravada pela disponibilidade limitada de treinamento especializado, contratação local agressiva e recrutamento internacional. Engenheiros treinados para operar em ambientes de alta pressão como Lagos—onde a energia da rede é instável e as temperaturas ambientes elevadas são o padrão—são especialmente atraentes para empregadores globais.
“Depois que as pessoas ganham experiência operando sistemas confiáveis na Nigéria, elas se tornam alvos primordiais”, disse Adefarati. “Vimos várias de nossas próprias pessoas saírem em busca de oportunidades no exterior.”
A resposta da Rack Centre é construir um pipeline mais amplo para o setor, em vez de competir pela pouca mão de obra existente. O primeiro grupo vai treinar entre 15 e 20 engenheiros. Os participantes passarão por duas trilhas de certificação, incluindo uma oferecida em parceria com a plataforma de treinamento da Schneider Electric, seguida por um curso avançado e um estágio de um mês dentro de uma instalação em operação. O programa completo dura de quatro a cinco meses.
Os custos de treinamento, estimados em $2,500 por participante, são totalmente subsidiados. Segundo Adefarati, isso reflete um consenso da indústria de que os indivíduos não podem arcar com o ônus financeiro das certificações especializadas.
“O problema não é que as pessoas não estejam estudando engenharia”, disse Adefarati. “É que elas não estão sendo treinadas para trabalhar com sistemas que precisam funcionar 100% do tempo. Data centers são diferentes. Você está lidando com energia redundante, refrigeração de precisão e detecção de falhas em tempo real em um ambiente altamente sensível.”
Data centers exigem equipes relativamente pequenas, altamente especializadas. Uma instalação de 100MW normalmente requer de 30 a 100+ funcionários, enquanto a instalação de 12MW da Rack Centre opera com aproximadamente 20 funcionários em tempo integral, incluindo técnicos, engenheiros e gestão. A empresa não espera absorver todos os graduados treinados internamente; o restante será distribuído entre outros operadores de data centers e empresas de telecomunicações.
O programa da Rack Centre está sendo desenvolvido em colaboração com a Africa Data Centres Association, que trabalha para atingir um objetivo mais amplo de treinar até 1.000 profissionais de data centers nos próximos dois anos. Esse esforço se alinha a uma iniciativa em nível de toda a indústria voltada para um modelo “source-train-place”, projetado para criar um pipeline contínuo de talentos em vez de contratações episódicas.
O programa também aborda desequilíbrios estruturais na força de trabalho. As mulheres permanecem significativamente sub-representadas em funções operacionais centrais, respondendo por tão pouco quanto 5% do quadro técnico em algumas instalações. A Rack Centre busca garantir que pelo menos um terço dos participantes em cada turma sejam mulheres.
Adefarati destacou a dimensão humana das operações de data center: “Data centers são frequentemente vistos como hardware. Mas o sucesso deles é fundamentalmente sobre pessoas.”