A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) do Brasil anunciou em 4 de abril que a produção combinada de petróleo e gás do país em março atingiu 5,531 milhões de barris de óleo equivalente por dia, estabelecendo um recorde histórico. O aumento da produção reflete tanto a expansão operacional quanto pressões do mercado global de energia decorrentes de tensões geopolíticas no Oriente Médio.
De acordo com dados da ANP, a produção de petróleo bruto em março totalizou 4,247 milhões de barris por dia, representando um aumento de 4,6% mês a mês e de 17,3% ano a ano. A produção de gás natural chegou a 204,11 milhões de metros cúbicos por dia, subindo 3,3% mês a mês e 23,3% ano a ano. A produção da camada pré-sal, principal motor do crescimento, respondeu por 4,421 milhões de barris de óleo equivalente por dia, representando 79,9% do total da produção nacional e crescendo 19% ano a ano.
Campos offshore contribuíram com 98% da produção de petróleo bruto e 87,8% da produção de gás natural. Projetos liderados pela Petrobras (incluindo joint ventures) responderam por 88,23% da produção nacional. O campo Buzios, da Bacia de Santos, segue como a maior região produtora de petróleo do Brasil, enquanto o campo Mero lidera a produção de gás natural.
A Petrobras anunciou em 1º de maio que as fases 1 a 7 do projeto do campo Buzios agora estão em operação. A plataforma P-79 da fase 8 foi aprovada para uma partida antecipada de 3 meses, com capacidade de produção projetada de petróleo bruto de aproximadamente 2,5 milhões de toneladas por dia (180.000 barris) e capacidade de processamento de gás natural de 7,2 milhões de metros cúbicos por dia, com capacidade de transmissão externa de 3 milhões de metros cúbicos por dia. Após o arranque da fase 8, espera-se que o campo Buzios atinja capacidade de produção superior a 1,3 milhão de barris por dia, impulsionando ainda mais a produção nacional de petróleo e gás.
A análise indica que as tensões geopolíticas no Oriente Médio geraram impactos significativos nos mercados globais de energia. As interrupções no transporte pelo Estreito de Hormuz apertaram a oferta global de petróleo, com os preços do petróleo Brent subindo de aproximadamente US$ 70 por barril para US$ 114 por barril em dois meses. Com mecanismos internacionais de ligação de preços do petróleo, o Brasil enfrenta pressões de inflação importada apesar do aumento da produção doméstica. Segundo especialistas citados na análise, o Brasil está acelerando os esforços para elevar a capacidade de produção interna de petróleo e gás para reduzir a dependência dos mercados internacionais. Ao mesmo tempo, o governo está implementando medidas de alívio tributário, subsídios à produção e apoio às importações para amortecer o impacto econômico do aumento dos preços do petróleo.
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