Stablecoins estão a avançar para além do dólar

Stablecoin não é sinónimo de um dólar digital dos EUA, apesar da predominância de ativos indexados ao USD num mercado em rápida expansão.

O valor de um stablecoin pode ser indexado a uma gama de ativos — desde commodities como o ouro até outras criptomoedas — mas estas variantes são muitas vezes usadas mais como veículos de investimento do que como mecanismos de pagamento do dia a dia. Da mesma forma, muitos dos principais stablecoins indexados ao USD funcionam como instrumentos geradores de rendimento ou como ferramentas para liquidações de elevado valor.

Dito isto, há provas crescentes de que os stablecoins que ganham mais tração em casos de uso no mundo real são os apoiados por moedas fiduciárias diferentes do dólar dos EUA. De acordo com um relatório da Visa e da Dune, o mercado de stablecoins não indexados ao USD atingiu 1,1 mil milhões de dólares em fevereiro, triplicando em pouco mais de três anos.

Mais revelador ainda é que cerca de metade destes stablecoins denominados em moeda doméstica é detida em carteiras institucionais e individuais, enquanto cerca de um quarto está nas bolsas centralizadas. Esta distribuição sugere uma utilização ativa, provavelmente em aplicações como pagamentos transfronteiriços, remessas e liquidações B2B.

Stablecoin vs. CBDC

Neste segmento, o EURC da Circle representa mais de 90% do volume de transferências. O facto de um stablecoin indexado ao euro liderar não é surpreendente: o euro é utilizado em 27 países, e as ineficiências nos pagamentos transfronteiriços têm sido há muito um problema persistente que os responsáveis políticos europeus estão a tentar resolver.

No entanto, estes líderes têm demonstrado preferência por uma moeda digital de banco central em vez de stablecoins emitidos de forma privada. Após anos de discussão, o euro digital está a entrar numa fase piloto e está previsto para ser lançado na segunda parte do próximo ano.

Uma das principais motivações por detrás do impulso para a CBDC é a predominância de stablecoins indexados ao USD. Ainda assim, permanece incerto como é que um euro digital coexistiria com os stablecoins denominados em euro que já estão em circulação.

Difícil caminhada

Fora da Europa, a adoção de stablecoins não indexados ao USD tem sido mais limitada. Os stablecoins apoiados pelo real brasileiro representam a próxima maior fatia do segmento, mas ficam muito atrás dos equivalentes baseados no euro.

Ainda assim, continuam a surgir novos participantes, como o ZAR Universal (ZARU) da África do Sul, um ativo digital indexado ao rand. Estes produtos, no entanto, enfrentam a tarefa difícil de destronar os stablecoins indexados ao USD, que continuam a representar a maior fatia de um mercado global avaliado em mais de 310 mil milhões de dólares.

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Etiquetas: CBDCDigital EuroEuro StablecoinStablecoins não indexados ao USDStablecoin

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