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Acabei de acompanhar o debate na Câmara dos Lordes do Reino Unido sobre stablecoins e, honestamente, a discussão revela algo interessante sobre como as finanças tradicionais veem a infraestrutura de criptomoedas. O custo subjacente de manter estruturas regulatórias que realmente funcionem — o que parece ser o que eles estão enfrentando — é aparentemente muito maior do que as pessoas percebem.
Chris Giles, do Financial Times, fez um ponto bastante fundamentado: stablecoins não são uma substituição revolucionária de dinheiro. São basicamente apenas rampas de entrada e saída para o mercado de criptomoedas. Sem um respaldo legal adequado e regulamentação, pedir para pessoas comuns usá-las como dinheiro de verdade é arriscado. Ele reconheceu que, com uma estrutura regulatória sólida, sim, elas poderiam reduzir custos de transação e acelerar transferências internacionais. Mas, domesticamente no Reino Unido? Stablecoins em libras esterlinas não vão competir com os bancos quando pagamentos instantâneos e baratos já existem.
A tensão interessante veio de Arthur Wilmarth, um professor de direito dos EUA, que foi mais duro na crítica. Ele basicamente chamou a Lei GENIUS dos EUA de desastre por permitir que não-bancos emitam stablecoins em dólares. Seu argumento: isso é arbitragem regulatória. Você está permitindo que empresas com regulamentação leve entrem no negócio de dinheiro, o que enfraquece décadas de salvaguardas bancárias. Isso não é pouca coisa.
O que mais me chamou atenção foi a preocupação com KYC e AML que Giles levantou. Stablecoins podem ser atraentes para uso ilícito, o que significa que é preciso uma supervisão internacional séria das exchanges. A abordagem do Banco da Inglaterra — tratar stablecoins como dinheiro de verdade, com requisitos rigorosos de respaldo e liquidez — parece mais sensata do que deixá-las flutuar em uma zona cinzenta regulatória.
A verdadeira questão não é se as stablecoins vão dominar. É se elas realmente vão cumprir uma função além de serem uma ponte para o comércio de criptomoedas. E se o custo de uma supervisão adequada vale a pena para essa utilidade. Parece que até os especialistas não conseguem concordar totalmente com isso.