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Recentemente tenho acompanhado o mercado do dólar neozelandês e percebi que esta queda tem sido bastante forte. Desde meados de março, o dólar neozelandês face ao dólar americano caiu por quatro dias consecutivos, passando de 0,6065 para 0,5850, atingindo uma mínima desde novembro do ano passado. Só nesta semana, a queda já consumiu quase 3,5% do valor, com um aumento de 40% no volume de negociações, claramente indicando uma grande reallocação de carteiras por parte das instituições.
Notei que por trás desta pressão de venda há vários fatores atuando em conjunto. Primeiro, a geopolítica, com a escalada na situação do Oriente Médio, que desencadeou uma forte busca por ativos de refúgio global. Os investidores estão retirando recursos de moedas sensíveis ao risco como o dólar neozelandês e migrando para o dólar, iene e outros ativos tradicionais de proteção. Em segundo lugar, há a pressão sobre os preços das commodities, já que a economia da Nova Zelândia depende bastante de exportações agrícolas e de turismo. O aumento do preço do petróleo, causado pelo risco geopolítico, elevou os custos de transporte dos exportadores, comprimindo suas margens de lucro.
Ainda mais importante é o dado de confiança doméstica. A pesquisa de perspectivas comerciais do ANZ mostrou que o índice de confiança empresarial caiu para -42,3, atingindo o menor nível desde setembro de 2022, com quatro meses consecutivos de deterioração. As intenções de investimento, de contratação e as expectativas de lucro também recuaram, refletindo uma visão cada vez mais pessimista das empresas neozelandesas sobre o futuro da economia. Essa combinação de fatores internos e externos naturalmente exerce forte pressão sobre o dólar.
Curiosamente, ao comparar com outras moedas de commodities, fica evidente a vulnerabilidade específica da Nova Zelândia. No mesmo período, o dólar australiano caiu apenas 2,1%, o dólar canadense 1,8%, enquanto o dólar neozelandês recuou 3,5%. Isso mostra que a economia da Nova Zelândia, por ser menor, com menor liquidez no mercado financeiro, reage mais rapidamente a eventos de risco. Além disso, o Federal Reserve mantém uma postura hawkish, enquanto o banco central da Nova Zelândia enfrenta condições econômicas diferentes, ampliando a diferença de juros para 125 pontos base, o que favorece ainda mais a valorização do dólar.
No aspecto técnico, o dólar neozelandês quebrou a média móvel de 200 dias, acionando uma onda de vendas algorítmicas. O nível de 0,5850 tornou-se uma resistência psicológica importante; se essa barreira for rompida, o próximo alvo pode ser 0,5750. Dados históricos indicam que quedas consecutivas por quatro dias, nas últimas dez anos, têm cerca de 70% de chance de levar a uma fraqueza adicional na semana seguinte, sugerindo que a volatilidade pode continuar.
Para a economia da Nova Zelândia, a fraqueza do dólar é uma espada de dois gumes. Por um lado, aumenta a competitividade dos exportadores no mercado internacional, permitindo que produtores de lácteos e carnes recebam mais moeda local. O setor de turismo também se beneficia. Por outro lado, o aumento dos custos de importação pressiona a inflação, já que cerca de 35% dos bens de consumo são importados, um impacto relevante. Além disso, o custo de pagamento da dívida externa fica mais alto, considerando que a posição de investimento internacional líquida do país mostra que as dívidas externas superam os ativos em aproximadamente 55% do PIB, o que não é uma situação trivial.
Na época, o mercado aguardava principalmente a reação do Banco da Nova Zelândia e os dados econômicos que seriam divulgados em breve. Se a situação geopolítica continuar a se deteriorar e a confiança doméstica seguir fraca, o dólar neozelandês pode ainda recuar mais. Contudo, essa conjuntura também oferece uma oportunidade para traders que acompanham as taxas de câmbio e ativos relacionados à Nova Zelândia observarem possíveis movimentos futuros.