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Acabei de ler uma história que não me sai da cabeça. Um tipo que, aos 18 anos, já era milionário, e aos 22, estava falido. Kiarash Hossainpour — um nome que muitos da cena cripto conhecem, mas provavelmente pelos motivos errados.
A história é, na verdade, bastante surreal. O rapaz nasceu em 1999 em Berlim, a família dele tem raízes iranianas — os pais fugiram antes da Revolução. A origem marcou-o: o pai era informático, rígido, mas apoiava-o. Aos 10 anos recebeu o primeiro computador; mais tarde, mostrou-lhe a porta para a programação. Foi isto, em certa medida, o capital de arranque.
Aos 13 anos, então, veio o YouTube, conteúdos de gaming, páginas WordPress por 30 dólares. Até 2014 chegou o momento: o primeiro pagamento em Bitcoin. Foi isso. O cérebro dele explodiu. Dinheiro virtual, descentralizado, cunhado em casa — era como uma válvula de segurança para alguém com aquela origem e essa fome por independência financeira. No final de 2015, ele investiu quase 40.000 euros em Bitcoin. Os pais perguntaram-lhe se aquilo era legal, se era dinheiro a sério ou fraude.
E depois ele ganhou o jogo. Pelo menos durante algum tempo. O canal no YouTube cresceu, com centenas de milhares de seguidores; ele vendia-se como uma história de sucesso. Fotos dele num Rolls-Royce, num Lamborghini, kubanische Zigarre — aos 20 anos. Os conselhos no canal eram, por vezes, razoáveis: investir apenas o que sobra. Mas as imagens contavam uma história diferente.
Então veio a Luna. Em maio de 2022, esta criptomoeda entrou em colapso e caiu 99 por cento. Hossainpour tinha apostado fortemente nela, e até a tinha promovido no seu canal. A carteira dele? Desapareceu. Perdeu 90 por cento. De um dia para o outro.
O interessante é que ele não desiste. Diz que vê isto como parte do jogo, que as perdas constroem carácter. Chama-se a si mesmo um “investidor estratégico”, alguém que não vende em pânico. Mas, francamente? É exatamente essa mentalidade que levou milhares de pessoas ingénuas à falência. Um rapaz de 22 anos a dar conselhos financeiros, mas sem fazer a mínima ideia do que está a fazer.
Tudo isto é um estudo de caso sobre como se pode ficar rico e pobre em Crypto tão depressa. E sobre como pode ser perigoso quando jovens influenciadores, sem verdadeira experiência, tiram dinheiro do bolso de outras pessoas. A história de origem, a fome por sucesso — tornam tudo isto mais compreensível, mas não melhor.