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Tô acompanhando de perto o movimento do boi gordo ultimamente e tem alguns fatores bem interessantes confluindo agora. Depois que a Suprema Corte americana derrubou as tarifas recíprocas do Trump, o mercado reagiu forte. O preço que estava preso na faixa dos 350 pontos disparou, porque basicamente ficou mais fácil exportar para os EUA.
Segundo analistas que acompanho, mesmo que as tarifas cheguem a 15%, o cenário continua favorável. A questão é que o boi brasileiro fica muito mais competitivo lá fora quando essas barreiras caem. Estamos em um ciclo pecuário agora, aquele período em que reduz a oferta de fêmeas e naturalmente o preço da arroba sobe. Combinando isso com a queda das tarifas e a gente sendo o maior, melhor e mais barato fornecedor de carne, dá pra ver uma tendência clara de alta nos preços.
Claro que tem contraponto. A taxa de câmbio baixa funciona como um freio. O dólar frente ao real é fator determinante mesmo na formação do preço. Mas olhando o quadro geral, a balança pesa mais para o lado positivo.
Nas praças monitoradas, 25 de 33 registraram alta para o boi gordo. Em Araçatuba e Barretos, as referências do mercado, a arroba subiu 3 reais, chegando a 350 e 355 respectivamente. Desde início de fevereiro, a arroba acumula 20 reais de alta no estado de São Paulo. A novilha subiu 18 reais no mesmo período.
Agora tem um detalhe que poucos estão falando: a China. Lá anunciaram salvaguardas para 2026 e tem uma cota de 1.100.000 toneladas sem taxa adicional. Os frigoríficos brasileiros perceberam que se ultrapassarem isso, seus produtos ficam sobretaxados. Resultado? Aceleraram os embarques no final do ano passado. Dos 2,741 milhões de toneladas exportadas, a China levou 1,648 milhão, ou seja, 60% do total. Isso significa que cerca de 400 mil toneladas entrariam na faixa de sobretaxa.
O volume de exportação tá impressionante. Até a terceira semana de fevereiro, a média diária estava em 14.823 toneladas de carne in natura, 56% maior que o mesmo período do ano anterior. Em apenas três semanas, o Brasil exportou 192.700 toneladas, já superando o total de fevereiro anterior inteiro. O preço em dólar está em torno de 5.613 por tonelada, o que em reais fica em 29.301 por tonelada.
O mercado tá com liquidez razoável, pecuaristas esperando por preços mais altos, compradores tendo dificuldade em completar as escalas de abate. Tudo isso junto sugere que tem bastante espaço para movimento de alta ainda, pelo menos enquanto esses fatores externos continuarem alinhados.