Depois de pesquisar o mercado por um tempo, ele decidiu experimentar comprar criptoativos por conta própria. Naquela época, não havia plataformas de correspondência — as pessoas publicavam em fóruns, e desconhecidos realizavam negociações OTC. A infraestrutura praticamente não existia e, após algumas tentativas, ele considerou a experiência ruim.
Diante disso, resolveu criar sua própria plataforma.
Ele passou duas semanas em casa desenvolvendo um mecanismo de correspondência, colocou no ar e comunicou a todos que poderiam depositar, sacar e negociar cripto. Segundo ele, “era como um brinquedo”. Não esperava que, assim que o produto fosse lançado, o tráfego disparasse, rapidamente sobrecarregando os servidores. Ele passou os dias seguintes depurando e ampliando a infraestrutura.
Treze anos depois, esse “brinquedo” virou a Gate.
Com 51 milhões de usuários, US$ 20 bilhões em volume diário de negociação TradFi e mais de 40 licenças regulatórias globais, a Gate se consolidou como líder do setor.
O Dr. Han segue no comando, agora liderando uma companhia global de finanças digitais.
A maioria das exchanges da época da Gate já não existe. A Gate foi lançada dois a três meses antes da Huobi, sendo uma das poucas exchanges veteranas ainda ativas na comunidade cripto chinesa.
Perguntamos ao Dr. Han como ele avalia os últimos treze anos. “Embora já tenha dedicado treze anos a essa trajetória, vejo isso apenas como o começo. Os últimos treze anos foram de tentativa e erro, de exploração — não tínhamos maturidade em muitos aspectos. Agora, finalmente estamos prontos em todas as áreas e é hora de avançar com tudo.”
Confira abaixo nossa conversa completa com o Dr. Han.
Gate CEO Dr. Han
BlockBeats: Para muitos que estão chegando agora, o setor cripto de 2013 e o de hoje são mundos diferentes. Na época, você fazia doutorado no exterior e sua área não era diretamente relacionada ao universo cripto. O que motivou a criação da Gate?
Dr. Han: Minha formação era em optoeletrônica e computação de alto desempenho, áreas que se conectam bastante com os equipamentos e tecnologias usados na mineração de Bitcoin. Para quem tem perfil técnico, era um caminho natural. O Bitcoin tinha whitepaper, código open-source e toda a documentação técnica era pública, então era fácil para mim estudar.
Depois de pesquisar, tentei comprar cripto por conta própria. Mas, naquela época, a infraestrutura era totalmente diferente da atual — quase não existiam plataformas de correspondência. As pessoas publicavam em fóruns quanto queriam comprar, usando métodos típicos de OTC. Todo o processo de negociação era incerto e a experiência, ruim. Depois de passar por isso algumas vezes, pensei: já que não existe uma plataforma decente, por que não criar uma eu mesmo?
BlockBeats: Como foi o processo de “construir uma exchange” naquela época?
Dr. Han: Começou como um hobby. Eu programava em casa, passei umas duas semanas desenvolvendo uma plataforma de correspondência, lancei e avisei a todos que podiam depositar, sacar e negociar cripto. Era como um brinquedo.
Nunca imaginei que tanta gente fosse usar depois do lançamento. O tráfego rapidamente excedeu a capacidade e precisei me dedicar bastante à depuração e ao aumento de escala.
BlockBeats: Depois de treze anos, quais foram seus momentos mais marcantes, tanto positivos quanto negativos?
Dr. Han: Para ser sincero, tivemos mais desafios do que conquistas.
O grande destaque foi, sem dúvida, o dia do lançamento.
Quando algo que você constrói de repente atrai um volume enorme de tráfego, o site cai todo dia e equipes de projetos fazem fila para listar seus tokens. Mas logo depois, vem o momento difícil. Minha visão era superficial — achava que montar uma exchange era como criar uma plataforma tecnológica: é só colocar no ar.
Mas uma exchange cripto não funciona assim. Não existe uma instituição central que constrói a infraestrutura para você; tudo precisa ser desenvolvido, peça por peça, pelos próprios participantes. Nos primeiros anos, até configurar uma Carteira podia levar à perda de fundos se não houvesse atenção.
Em 2014 e 2015, fomos alvo de dois ataques, perdendo cerca de 10.000 BTC no total.
Para quem nunca trabalhou em empresa ou empreendeu, vindo do meio acadêmico, foi um baque enorme. Você sai de um ambiente simples para um onde todos criticam online, e alguns ameaçam até ação judicial. É preciso decidir como ressarcir os usuários, se vale a pena continuar ou desistir, e questionar se você tem perfil para o setor. Surgem todas as dúvidas possíveis.
Em 2017, quitamos todos os valores devidos aos usuários.
Esse foi um momento extremamente importante. A sensação é de finalmente tirar o peso das costas e poder focar em construir.
BlockBeats: Muitos dizem que a tecnologia é o segredo da resiliência da Gate nos ciclos. Qual sua opinião?
Dr. Han: Na verdade, acredito que a tecnologia não é o fator mais determinante.
No início, a tecnologia era essencial pois a maioria das pessoas era resistente ao cripto — não entendiam os fundamentos, achavam que era bolha ou esquema Ponzi. Quem tinha conhecimento técnico conseguia navegar melhor.
Mas, com a maturidade do setor e a compreensão geral da tecnologia, ela deixou de ser diferencial.
Por que alguns sobreviveram treze anos e outros não? São muitos fatores — difícil resumir em um só. É como um jogo: é preciso ter habilidades, resiliência e saber escolher o caminho certo.
Se fosse para resumir, diria que são dois pontos: persistência e aprendizado contínuo.
BlockBeats: A Gate já soma mais de 51 milhões de usuários. O crescimento recente veio mais de instituições ou de mercados de varejo emergentes?
Dr. Han: É completamente diferente do início.
Em 2013, havia grandes diferenças de preço entre plataformas e era possível lucrar com arbitragem manual, pois as instituições não participavam, a infraestrutura era limitada, a confiança era baixa e o mercado, pequeno.
Hoje, mais de 80% do volume negociado nas exchanges mainstream vem de instituições. A negociação entre instituições também é significativa, já que o varejo responde só por 20% e as instituições não negociam apenas com o varejo.
Outro ponto importante é a composição do portfólio de produtos. Alguns anos atrás, Futuros e Spot estavam em proporção de 1:1 e havia expectativa de que Futuros superasse Spot. Relatórios recentes mostram que o volume de Futuros já é aproximadamente dez vezes maior que o de Spot. O mercado se tornou totalmente focado em Derivativos.
BlockBeats: Essa fatia de 80% de instituições é exclusiva de mercado de baixa ou é estável?
Dr. Han: A proporção não muda muito entre mercados de baixa e de alta. Muitas estratégias institucionais dependem da liquidez do varejo e de arbitragem, então, quando o volume do varejo cresce, o das instituições também aumenta.
BlockBeats: Este ano houve uma onda de adequação regulatória, com muitas exchanges alinhando-se aos Estados Unidos. Como está a estratégia de compliance da Gate?
Dr. Han: Fomos pioneiros na busca por compliance nos EUA. Hoje, atuamos de forma regular em 46 jurisdições dos EUA — faltam poucos estados. Internacionalmente, já conquistamos licenças em regiões importantes como Europa (MiCA), Japão e Austrália.
O compliance mudou radicalmente.
Antes, os reguladores não sabiam como classificar empresas do setor — valor mobiliário, commodity ou token? Agora, os limites estão bem mais claros e o compliance é obrigatório.
Foram anos e muitos recursos investidos em preparação, e agora vemos o resultado. Em muitos mercados onde outras plataformas não podem atuar, a Gate consegue atender as principais regiões.
BlockBeats: O negócio TradFi da Gate já ultrapassa US$ 20 bilhões em volume diário, tornando-se líder do setor. Mas, este ano, praticamente toda exchange entrou nesse segmento. Qual sua visão?
Dr. Han: Para ser honesto, entramos tarde.
Queríamos entrar cedo em TradFi, mas dois fatores atrasaram. Primeiro, a carga de trabalho em cripto era muito alta. Segundo, o setor financeiro tradicional já tinha infraestrutura e provedores de serviço maduros, com os quais não tínhamos familiaridade.
No ano passado, percebemos que os produtos cripto haviam se tornado homogêneos — Spot, Futuros, Earn, Carteiras Web3 — todos ofereciam opções similares.
Sentimos que estávamos prontos, com as capacidades de negócio em dia, então começamos a expandir. Só então percebemos que o tamanho do mercado e a demanda dos usuários eram muito maiores do que imaginávamos. Ficou o arrependimento de não ter começado antes.
BlockBeats: Por que a Gate conseguiu conquistar uma fatia relevante do mercado?
Dr. Han: Dois fatores: amplitude de produtos e cobertura de ativos.
No portfólio de produtos, oferecemos ações Spot, opções, Futuros e CFDs — toda a linha já está disponível.
Em ativos, cobrimos Commodities (petróleo bruto), Metais (ouro e prata), mercados acionários tradicionais, uma ampla variedade de Índices e Forex — atualmente, a cobertura mais abrangente entre os concorrentes.
BlockBeats: Em TradFi, qual a proporção entre instituições e varejo?
Dr. Han: As instituições dominam, já que o mercado financeiro tradicional é liderado por elas.
Na Europa, CFDs são o principal produto; nos EUA, ações e opções — todos naturalmente institucionais. A adoção do varejo é mais lenta. Nossa base de varejo vem principalmente do cripto; quem já negociava ações ou tinha interesse em ativos tradicionais migra primeiro, pois acha as plataformas cripto mais acessíveis que brokers tradicionais. A negociação de ações aqui é 24/7 e disponível em todas as plataformas — muito fluida.
Outros usuários de varejo vão sendo atraídos por produtos em alta, como petróleo bruto e, antes, ouro e prata.
BlockBeats: Brokers tradicionais estão entrando em cripto (como Futu e Tiger), enquanto exchanges cripto entram em ativos tradicionais. Quem tem vantagem?
Dr. Han: Discutimos isso internamente. Acredito que o lado cripto é muito mais competitivo.
Instituições tradicionais são altamente restritas e o custo de aquisição de clientes é altíssimo — pode passar de centenas de dólares por cliente. Em cripto é diferente: o custo de aquisição é bem menor, e tanto a tecnologia quanto a demanda são forças impulsionadoras.
Assim, depois que a Gate trouxe ativos tradicionais, o crescimento foi rápido, mas quando brokers tradicionais incluíram cripto, a fatia de cripto no negócio deles permaneceu baixa.
Robinhood é uma exceção — equilibra bem finanças tradicionais e cripto. Mas é um modelo único e inovador, começou com taxa zero, enquanto a Coinbase cobrava taxas de vários por cento, abrindo uma grande oportunidade para a Robinhood.
BlockBeats: Este ano, a Gate se tornou a primeira exchange centralizada a integrar o Polymarket. Qual foi a estratégia por trás disso?
Dr. Han: Mercados de previsão são um dos temas mais quentes do momento. Robinhood, Coinbase e Binance já lançaram produtos relacionados. Acreditamos que vai se tornar um recurso essencial para o setor.
Por ser fundamental, em vez de construir por conta própria, decidimos ser pioneiros e testar logo.
Para ser sincero, não estávamos totalmente preparados — nosso modelo de negócios e lógica ainda não são profundos, e mercados de previsão exigem alta liquidez. Só lançar a função não basta; é preciso atividade real de negociação.
Por isso, fizemos parceria com a Polymarket e integramos on-chain na Gate. Usuários podem Realizar Ordens conosco e participar do mercado deles on-chain. É o jeito mais rápido e econômico de testar esse segmento.
BlockBeats: Este ano, a Gate lançou uma série de iniciativas de IA. O que IA representa para uma exchange?
Dr. Han: São dois pilares: IA eleva a eficiência interna, e externamente, é uma disputa pelo ponto de entrada.
No fim do ano passado, fiquei um pouco ansioso. O Vibe Coding chegou a um nível em que pode substituir desenvolvedores em quase tudo. Discutimos internamente se 50% ou 70% do código poderia ser feito por IA — agora já chega perto de 100%.
O que realmente me chamou atenção foi que Agentes de IA podem substituir o ponto de entrada das plataformas de negociação. Por exemplo, plataformas de perguntas para programadores perderam 99% do tráfego, pois os usuários migraram para Agentes de IA. Se isso acontecer com plataformas de negociação, o impacto será grande.
Por isso, no início do ano, fizemos do Agente de IA a prioridade máxima e lançamos na Gate em fevereiro.
Agora, praticamente todas as funções da Gate estão acessíveis via Agente de IA: Comprar criptoativos, saques, Earn, novas listagens, aplicações Web3 e muito mais. Já lançamos quase 100 Habilidades, utilizáveis tanto na Gate quanto em outros ambientes.
BlockBeats: A experiência prática correspondeu às expectativas?
Dr. Han: Sinceramente, agora achamos que estávamos um pouco ansiosos demais.
Na prática, Agentes funcionam bem para tarefas como comprar chá ou reservar voos. Mas negociação exige timing de mercado, velocidade, precisão e segurança — Agentes de IA atuais ainda não entregam isso. Realizar uma ordem manualmente leva um segundo; com Agente, leva pelo menos dez segundos para consultar preços e confirmar, tornando a experiência menos eficiente.
Mas esse é só o cenário atual. Cinco anos atrás, Carteiras Web3 eram difíceis de usar — hoje são integradas. Quando a tecnologia atingir o ponto ideal, o uso muda.
Nossa meta é que, no futuro, o usuário abra o app e diga “compre cripto para mim”, “monte uma estratégia” ou “encontre o melhor caminho em Earn”, e tudo seja feito em menos de um segundo. Se for em menos de um segundo, o usuário não percebe atraso. Acredito que isso leve de seis a doze meses, e já estamos nos preparando.
BlockBeats: Você usa IA pessoalmente?
Dr. Han: Uso bastante todos os dias. A maior diferença é que gasto muito menos tempo em buscadores. Antes, eu pesquisava, abria artigos, resumia — agora a IA faz isso por mim. O maior problema ainda são as alucinações, então é preciso corrigir constantemente.
Mas o maior valor da IA está no brainstorming. Às vezes, é difícil gerar ideias sozinho, mas debater e discutir com alguém torna tudo mais claro. É nisso que a IA mais me ajuda.
BlockBeats: Na era do Agente de IA, o cenário competitivo da Gate muda? Pode virar Nasdaq ou trade.xyz?
Dr. Han: Não acredito que adicionar um assistente de IA vá transformar o setor — não é uma barreira competitiva. O fundamental continua sendo produto, liquidez e experiência do usuário. É preciso competir diretamente nesses pilares. Market share se constrói ao longo dos anos, não da noite para o dia.
BlockBeats: Se pudesse resumir os próximos treze anos da Gate em uma frase, qual seria?
Dr. Han: Mesmo após treze anos, acredito que isso é só o começo.
Os últimos treze anos foram de tentativa e erro, exploração e amadurecimento — não tínhamos maturidade em muitos pontos. Nossa compreensão do setor, recursos humanos, capital, marketing e marca não estavam prontos. Agora, finalmente estamos preparados em todos os aspectos. Então, o foco dos próximos anos segue sendo o crescimento.
BlockBeats: Você comentou que várias instituições já procuraram a Gate para abrir capital. Isso está nos planos?
Dr. Han: Temos planos, mas não é a maior prioridade agora.
Ainda há enorme potencial de crescimento, então focar no desenvolvimento do negócio é mais estratégico. Estamos nos preparando no caminho — estruturando frameworks de licenciamento em cada região e estabelecendo padrões financeiros independentes para atender aos requisitos de listagem. Quando chegar o momento certo, acontecerá naturalmente.
BlockBeats: Que conselho você daria para jovens que querem entrar no setor cripto?
Dr. Han: Os últimos dois anos são completamente diferentes do início. Antes, era difícil atrair pessoas para o setor — havia receio, oposição dos pais, falta de entendimento. Agora está muito melhor.
Para quem acredita nesse setor: se está otimista, entre logo — não hesite.
Estamos há tanto tempo nesse setor que muitas vezes sentimos que entramos tarde, e vimos muita gente que achava estar atrasada, seguiu outros caminhos e depois voltou. O setor cripto é extremamente atrativo para jovens, com oportunidades incontáveis. Indústrias tradicionais são rígidas, mas cripto ainda oferece mobilidade social e chances de transformação de vida.
Não precisa ser na Gate — qualquer lugar serve. Entre logo, explore e aprenda rápido — você não vai se arrepender.





